Patricia Lages A importância de implementar uma "dieta balanceada" de informações

A importância de implementar uma "dieta balanceada" de informações

Em época de fake news e polarização, manter a mente blindada contra narrativas e desinformação é uma necessidade

Redes sociais podem promover polarização

Redes sociais podem promover polarização

Pixabay

O fim do primeiro mês do ano costuma causar um misto de sentimentos, pois é nesse período, por exemplo, que muita gente já percebe que exagerou nas expectativas e que não vai dar conta de tudo que prometeu mudar em 2024.

É fácil notar que a maioria de nós projeta quase sempre as mesmas coisas: trabalhar menos, malhar mais, passar mais tempo com a família, ter uma alimentação saudável. Porém, segundo Sharon Cohen, professora de Psicologia da Mídia na Universidade de Salford, no Reino Unido, além dessas resoluções, quem busca melhor qualidade de vida precisa implementar uma “dieta balanceada de mídia”.

De uns anos para cá, cada vez mais pessoas usam as redes sociais como fontes de informação, sem se importarem com o fato de elas serem movidas por algoritmos cuja principal função é mantê-las on-line pelo maior tempo possível. Para isso, a estratégia é bem simples: filtrar o conteúdo a ser exibido de forma que cada um veja, se possível, apenas aquilo que mais lhe agrada.

Segundo um levantamento da Comscore, o Brasil é o terceiro país do mundo que mais consome redes sociais, com 96,9% da população conectada em pelo menos uma rede social. A atuação dos algoritmos cria bolhas de informação que reforçam a polarização e promovem a intolerância a quem pensa diferente. Por outro lado, no vale-tudo por engajamento, não faltam produtores de conteúdo recorrendo a narrativas vazias, desinformação e fake news.

Sobre essa questão, Cohen dá quatro dicas para o desenvolvimento de uma “dieta de mídia” que, entre outros benefícios, pode amenizar a polarização, melhorando o relacionamento entre as pessoas.

1. Pontos de vista diferentes devem ser bem-vindos

Quem pensa que está vendo o que quer nas redes sociais, engana-se. Como mencionado, a função do algoritmo é manter as pessoas conectadas exibindo um conteúdo o mais personalizado possível, considerando o engajamento do usuário. Por isso, é preciso sair da bolha e conhecer pontos de vista diferentes para não se deixar levar por narrativas que reforçam opiniões pessoais, mas podem estar totalmente equivocadas.

2. Cuidado com as apelações por atenção

Um estudo divulgado pelo site Scientific Report, em 2022, mostrou que a amplificação de opiniões nas redes sociais é capaz de causar polarizações extremas. Nesse sentido, Sharon Cohen sugere que é preciso ficar alerta com influenciadores que, em vez de compartilhar informações, preferem reforçar suas opiniões, colocando o próprio ponto de vista como verdade absoluta e anulando todos os demais.

É saudável ter a mente aberta a argumentos diferentes, mas ponderar a respeito sem se entregar aos extremismos.

3. Buscar fontes idôneas

Cohen aconselha a analisar as fontes de notícias e pesquisar outros perfis para validar a informação antes de dar crédito a ela. Apesar da pressa, a professora destaca a necessidade de dedicar tempo e questionar o conteúdo, prestando atenção ao que se lê para não cair em narrativas.

4. Colocar o raciocínio acima das emoções

Veículos de comunicação e criadores de conteúdo sabem que suscitar emoções fortes traz engajamento, por isso, trabalham pesado em criar manchetes provocativas em busca de viralização. A especialista orienta ao usuário que, antes de entregar-se às emoções, analise se aquele conteúdo foi projetado para fazê-lo sentir-se daquela forma e qual a utilidade que aquela informação traz para si mesmo.

Portanto, se o primeiro mês de 2024 não atendeu às suas expectativas e, depois deste artigo, você chega à conclusão de que há mais trabalho a fazer, não desanime e nem desista, pois ao deixar de se expor à polarização e às narrativas tendenciosas, sua qualidade de vida certamente melhorará, e muito.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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