Patricia Lages Cantora que acusou funcionária de aeroporto de revistar seu cabelo presta desserviço e prejudica a causa

Cantora que acusou funcionária de aeroporto de revistar seu cabelo presta desserviço e prejudica a causa

Acusação falsa é crime e quando racismo é banalizado as verdadeiras vítimas sofrem

A cantora Luciane Dom

A cantora Luciane Dom

Reprodução/instagram @lucianedom

Na última quinta-feira (14), a cantora Luciane Dom postou em suas redes sociais que seu cabelo black power havia sido revistado por uma funcionária do Aeroporto Santos Dumont, o que foi desmentido pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) logo depois.

“Chego no Aeroporto Santos Dumont e sou parada por uma ‘revista aleatória’ minutos antes de embarcar. A mulher me diz ‘tenho que olhar seu cabelo’. Eu olho para ela aterrorizada com a violência desse ato. Ela chama o superior. Meu dia acabou”, escreveu a cantora em seu perfil no Instagram. No X, a artista fez uma postagem mais objetiva: “Acabaram de revistar meu cabelo no Aeroporto Santos Dumont”.

Em nota, a Infraero informou que as imagens das câmeras de segurança mostram que não houve revista nos cabelos. "A cantora Luciane Dom foi selecionada aleatoriamente para uma inspeção manual. Após averiguação interna, foi constatado por imagens de câmeras de segurança que não houve inspeção nos cabelos. De acordo com a Instrução Suplementar IS 107.001-J, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as gravações feitas por essas câmeras de segurança só podem ser compartilhadas com a Polícia Federal, mediante solicitação de representantes do órgão", afirma a nota.

Depois de ser desmentida, a cantora apagou suas postagens e escreveu: “Foi tudo muito rápido e sutil, o racismo de todo dia não se vê nas câmeras de segurança. Peço que parem o assédio e a reprodução dessa violência. Vamos seguir”, postou Luciane.

A questão aqui é que, mesmo depois da nota oficial comprovando que não houve tal revista e que a própria cantora afirma sutilmente que, de fato, não há imagens para comprovar sua acusação, há quem creia que a revista aconteceu. Isso demonstra que a militância não dá valor às provas, mas sim, às narrativas.

Quem crê que o fato aconteceu porque a Infraero não compartilhou publicamente as imagens (mesmo sendo ilegal), deve lembrar que acredita na pretensa vítima sem a apresentação de prova alguma. Além do que, ignora completamente o fato de ela mesma ter apagado as postagens e agora estar querendo “tempo para cuidar” de si mesma. Que vítima aterrorizada com a violência sofrida agiria assim?

No fim das contas, quem sofre com tudo isso são as verdadeiras vítimas de racismo e preconceito, pois terão de lidar com a banalização de um assunto sério e com as consequências dos atos irresponsáveis como esse.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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