Patricia Lages Eletrodomésticos estão caros, não é mesmo? Veja o porquê

Eletrodomésticos estão caros, não é mesmo? Veja o porquê

Pesquisa diz que eletrodomésticos são 34,8% das compras online, mesmo com preços altos. Entenda o que torna tudo tão caro

Eletrodomésticos representam uma em cada três vendas online, indica pesquisa

Eletrodomésticos representam uma em cada três vendas online, indica pesquisa

RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 24.11.2023

Uma pesquisa feita pela NZN Intelligence e divulgada em agosto de 2022 mostrou que 34,8% das compras online são de eletrodomésticos. Apesar disso, é difícil encontrar alguém que não reclame dos altos preços, ainda mais quando comparados a produtos equivalentes em outros países.

Enquanto uma lava-louças nos Estados Unidos custa cerca de US$ 400 (cerca de R$ 2.000), no Brasil um modelo equivalente beira R$ 4.000. A comparação de valores não deve se basear no câmbio das moedas, mas, sim, na renda da população de cada país. Façamos as contas.

Nos Estados Unidos, o salário-mínimo, em média, é de US$ 7,25 por hora, que geralmente é multiplicado por 160 horas mensais trabalhadas, somando uma remuneração de US$ 1.160 ao mês. No Brasil, o mínimo nacional é de R$ 1.302, geralmente pago por 220 horas trabalhadas. 

Isso mostra que, enquanto um americano que recebe um salário-mínimo pode comprar uma lava-louças com um terço de sua renda mensal, um brasileiro teria que desembolsar mais de três meses de salário para fazer a mesma compra.

Para grande parte da população, essa disparidade de preços se deve ao fato de que a indústria, o comércio e o empresariado brasileiro são exploradores, gananciosos e querem enriquecer às custas de seus clientes. Porém, basta ler atentamente as notas fiscais de tudo o que se compra para ver que a coisa não é bem assim. Vou exemplificar com a compra de uma lava-louças que acabo de fazer.

O total da compra foi de R$ 3.958,99, sendo R$ 3.899 do produto e R$ 59,99 de frete (de Joinville para São Paulo). Sobre o valor com frete, paguei 4% de ICMS (R$ 158,36) no estado de origem (SC) e mais 14% de ICMS (R$ 554,26) no estado de destino (SP, que cobra 18%, mas desconta os 4% pagos na origem). Também foram cobrados 1,65% de PIS, mais 7,6% de Cofins sobre o valor de R$ 3.246,37.

O total de impostos foi de R$ 1.012,91, ou seja, mais de 27% do preço do produto, mostrando que, não fossem os tributos, o eletrodoméstico custaria R$ 2.946,08. Obviamente, o preço que o consumidor paga também inclui uma série de impostos recolhidos pelo fabricante, desde a compra das matérias-primas, passando pelos ônus que a CLT impõe pela contratação de cada um dos milhares de funcionários, até o produto sair da fábrica e seguir para as lojas, onde mais uma cascata de taxas é cobrada do revendedor e repassada ao consumidor.

O Estado brasileiro taxa a renda (com alíquotas que podem chegar aos 27,5%) e o consumo (30% em média), mesmo assim boa parte dos brasileiros acredita que o SUS é de graça (e que funciona muito bem em todo o país) e que quem explora a população é o empresariado (que é o gerador de emprego e renda). 

Tente explicar esse raciocínio a um estrangeiro e falhe miseravelmente.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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