Patricia Lages Jornalista afirma que igreja evangélica "ludibria a boa-fé" de pessoas "desesperadas" e pede regulamentação

Jornalista afirma que igreja evangélica "ludibria a boa-fé" de pessoas "desesperadas" e pede regulamentação

Declarações sobre igrejas evangélicas são demonstrações claras de desconhecimento e preconceito  

Eliana Cantanhêde chama evangélicos de pessoas "com menos informação"

Eliana Cantanhêde chama evangélicos de pessoas "com menos informação"

Reprodução GloboNews

A jornalista da GloboNews, Eliane Cantanhêde, deu declarações que expõem seu completo desconhecimento sobre a importância das igrejas evangélicas no Brasil, além de descrever o perfil dos evangélicos de forma preconceituosa. Suas falas foram ao ar na última sexta-feira (02), no programa Em Pauta, apresentado por Marcelo Cosme.

Cantanhêde defendeu a ideia de que o Estado deve “dar mais atenção” à atuação das igrejas, as quais chamou de “empresa que se chama igreja”, e classificou os evangélicos como “pessoas mais humildes”, com “menos informação”, “desesperadas, sem emprego ou solitárias”.

“É fácil alguém chegar lá, cria uma empresa que se chama igreja, põe um nome, cria uma conta bancária, não paga IPTU, não paga os impostos e ludibria a boa-fé”, disse a jornalista e acrescentou:

“É bonito as pessoas acreditarem, terem fé, acreditar nos dogmas, mas falta um pouquinho do Estado dar mais atenção a essa questão, porque chega num limite em que não é mais religioso, nem mais pessoal, é rentável e isso é triste. Deixar os cidadãos menos informados, que são mais vulneráveis, nas mãos de gente capaz de qualquer coisa.”

Os comentários foram feitos a partir da repercussão de um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que aponta que o Brasil possui mais templos e estabelecimentos religiosos do que a soma das instituições de ensino e unidades de saúde.

Há muito a ser dito sobre as falas da jornalista, mas comecemos pela maneira como ela se refere aos evangélicos: humildes, desinformados, desesperados, solitários, desempregados, vulneráveis. Use essa mesma descrição, mas troque evangélico por qualquer outra manifestação de crença religiosa e perceba o quão preconceituosa ela é.

Quanto aos líderes das igrejas, a descrição de Cantahêde é declaradamente um ataque: “gente capaz de qualquer coisa” e que “ludibria a boa-fé”. De novo: troque pastores evangélicos por pais de santo e veja o circo pegar fogo. Mas quando o assunto é a fé cristã, evangélica ou judaica, qualquer discurso de ódio está liberado e tudo fica por isso mesmo. Se você acha isso normal porque não lhe diz respeito, não se preocupe, todo tipo de imposição e cancelamento tem de começar por algum lugar, não é mesmo? Portanto, cedo ou tarde, o cerceamento de direitos e as perseguições vão acabar alcançando você também.

A contribuição das igrejas evangélicas para o Brasil

A fé evangélica baseia-se na obediência aos preceitos judaico-cristãos presentes na Bíblia, o que inclui manter uma conduta honesta, trabalhar com a verdade, ter um senso de justiça apurado, respeitar a família, ter um caráter firme, fidelidade nos relacionamentos, além de prestar assistência social e espiritual por meio de uma infinidade de projetos que, literalmente, vêm mudando a realidade não só no Brasil, mas também em várias partes do mundo.

Segundo um levantamento do PublishNews, portal especializado em notícias e informações do universo literário, os evangélicos leem mais do que o dobro de livros da população em geral – 7,1 por ano – mostrando que a classificação da jornalista sobre serem pessoas com “menos informação” é, na verdade, uma desinformação.

Os programas sociais idealizados, desenvolvidos e custeados pelas igrejas evangélicas – sem dinheiro público – de Norte a Sul do Brasil são tão numerosos que, talvez por isso, haja mais igrejas do que instituições de ensino e de saúde no país. Afinal de contas, é justamente onde o Estado falha que as igrejas atuam.

São as igrejas evangélicas que distribuem, com recursos obtidos por meio de doações de seus próprios membros, milhões de cestas-básicas e refeições todos os anos, não apenas em épocas festivas. Se os evangélicos fossem pessoas tão ignorantes, miseráveis e vulneráveis, como se organizariam para tocar tantos projetos e de onde tirariam tantos recursos?

São as igrejas evangélicas que vão a lugares onde ninguém quer ir: orfanatos, asilos e presídios; aos becos das favelas e ruelas comunidades carentes; aos albergues, hospitais e leprosários, além de tantos outros lugares que a sociedade em geral – e muitas vezes o Estado – finge não existir. Sempre levando apoio espiritual, bem como doações de todo tipo. Se a liderança das igrejas fosse formada por “gente capaz de qualquer coisa” e que “ludibria a boa-fé”, estaria preocupada em ajudar pessoas que não podem lhe oferecer nada em troca?

Um levantamento feito em 2018, aponta que os quinze programas sociais realizados pela Igreja Universal do Reino de Deus, somente naquele ano, beneficiaram mais de 10 milhões de pessoas no país, representando 5% da população da época. Na ocasião, o líder da Igreja no Brasil, bispo Renato Cardoso, destacou que “em número de beneficiados, os programas sociais da Universal já representam quase um terço do Bolsa Família”. Cardoso reiterou que o trabalho da instituição “vai muito além do assistencialismo imediato aos mais pobres” e que o objetivo do trabalho é “ajudar os excluídos a conseguirem um futuro melhor.” Com um detalhe: sem gastar um centavo dos cofres públicos.

Diante de fatos inquestionáveis e da contribuição das igrejas evangélicas para o crescimento do país, que tipo de regulamentação o Estado – aquele que mais negligencia suas obrigações para com os menos favorecidos – deve impor? Encher as igrejas de impostos, cobrar IPTU, “dar atenção” às atividades?

Os evangélicos já provaram há muito tempo que não necessitam de ajuda governamental para a realização de seus trabalhos. Tudo o que as igrejas precisam – bem como todo e qualquer cidadão de bem – é que o Estado se concentre em desempenhar seu próprio papel, sem atrapalhar quem se propõe a fazer a sua parte. Quanto às falas preconceituosas e aos ataques de Eliana Cantanhêde, só resta um recado: há séculos os evangélicos tiram de letra discursos de ódio como esse todos os dias, desde o café da manhã até o anoitecer. E, ao contrário do que se espera, isso só serve de combustível para irmos cada vez mais longe. Se estamos incomodando, estamos no caminho certo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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