Patricia Lages Nova geração: sensível com palavras e aparências, indiferente com violência e realidade

Nova geração: sensível com palavras e aparências, indiferente com violência e realidade

Hipersensibilidade com o que é dito e visto, mas total apatia com violência e sofrimento alheio

  • Patricia Lages | Patricia Lages

'Turma do Amor' se ofende com palavras

'Turma do Amor' se ofende com palavras

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Os noticiários reportam centenas de casos de violência todos os dias. Assaltos, estupros, latrocínios por causa de um celular, abusos que envolvem crianças, homicídios por qualquer motivo, violência doméstica e por aí vai.

Mas nada disso causa tanta histeria quanto alguém se expressar usando uma palavra da imensa lista de termos até então comuns mas que se tornaram “ofensivos” de uma hora para outra. Esse “erro imperdoável” funciona como um passe livre para a “turma do amor” cancelar, assassinar reputações e linchar a moral de quem se atreveu a falar o que “não devia”.

A geração que se ofende com palavras se sente no direito de explodir violentamente com quem profere qualquer coisa que lhe pareça um “insulto”, ainda que não faça o menor sentido. E, para além do que ouve, há quem também se ofenda com as aparências.

Quem não se lembra do caso de Thauane Cordeiro, hostilizada por cobrir a cabeça com um turbante? Além de lutar contra um câncer aos 19 anos — razão para o uso do turbante —, a paranaense teve de enfrentar um grupo de garotas negras que se ofenderam ao ver uma mulher branca cometer “apropriação cultural”.

A geração hipersensível às palavras e às picuinhas parece ser totalmente indiferente à realidade. Pessoas que são um poço sem fundo de sentimentos mas, ao mesmo tempo, têm um nível de empatia tão raso que só alcança o dos animais e, talvez, o das árvores.

O que temos visto são verdadeiros escândalos por motivos banais e uma completa apatia em relação à selvageria que nossa sociedade vem enfrentando. A inversão de valores tem atingido tamanho grau inimaginável de estupidez que muitas vezes se torna difícil acreditar que chegamos a tal ponto. Mas o fato é que chegamos, e precisamos refletir sobre aonde tudo isso vai nos levar.

O politicamente correto, forçado e empurrado goela abaixo por uma minoria que grita alto, tem feito com que a opinião da maioria seja silenciada e, portanto, se torne irrelevante. A verdade é que, enquanto o bom senso se cala, a estupidez avança.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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