OUTUBRO ROSA: ELAS VENCERAM O CÂNCER DE MAMA

Elas enfrentaram a doença em fases diferentes da vida. Enquanto Mirtes já estava na fase que a mamografia anual é recomendada, Paloma ainda era jovem para estar no grupo de risco. 

PIXABAY/ Marijana

"Eu não consigo olhar para as coisas que passei e achar difícil. Eu acho que sou muito forte, sabe. Não consigo ter dó de mim mesma. Aliás, eu odeio auto-comiseração, mas hoje eu entendo que as pessoas são diferentes e têm o direito de sofrerem. Eu não me dei esse direito. Costumo dizer que pra mim o câncer foi só mais um degrau, uma pedra com que topei, ou uma curva mais acentuada do que devia."

Esse relato é da relações públicas Mirtes Bogéa, que descobriu o câncer de mama aos 42 anos após realizar mamografia de rotina. Na verdade, o diagnóstico não foi tão rápido assim. Ela relata que demorou 5 meses para os médicos confirmarem a suspeita. 

A empresária Paloma Bauer também enfrentou uma demora para receber o diagnóstico correto. Mas no caso de Paloma, a questão era a idade. Os médicos custaram a acreditar que uma mulher de 28 anos pudesse estar com a doença. 

Para que a conscientização trazida pelo OUTUBRO ROSA não acabe junto com o mês, este blog traz depoimentos fortíssimos destas duas lindas mulheres que enfrentaram o câncer de mama e venceram a doença.  

Mirtes Borgéa

Mirtes Borgéa

relações públicas

"Comecei a fazer mamografia com 37 anos, do nada. A minha médica pediu. Aí parei de fazer, mas ao completar 40 eu comecei a fazer todo ano. Eu trabalhava em um hospital que exigia das funcionárias, que elas fizessem todo ano (entrei lá com 41 anos). No meu exame anual, com 42, a técnica chamou atenção para as microcalcificações. Eu até disse 'ué, mas ano passado já estavam aí.' E na minha cabeça essas microcalcificações eram por ter amamentado. E ela respondeu 'sim, mas estão diferentes'. Na hora, ela chamou o médico, que viu, olhou pra minha cara e nem disse nada. Deste dia até o diagnóstico final foram quase 5 meses. O que mais me incomodou era ter um pouco de notícia por dia. Eu queria saber tudo de uma vez, e no câncer não é assim. A cada hora é um dado a mais. Nada é muito rápido.

A médica que fez meu diagnóstico foi incrível. Ela disse pra mim, logo após dizer que era câncer: 'você vai se curar, ao contrário de muitas mulheres que às vezes chegam aqui pra mim'. Aquilo pra mim foi sentença. Eu sabia que ia me curar.

No dia que recebi meu diagnóstico, eu me senti muito tranquila, talvez por trabalhar com saúde há tanto tempo. Fiquei mais preocupada em como meus pais receberiam a notícia, mas eles até ficaram bem.

Depois veio o tratamento. A cirurgia tem a dor da recuperação, o dreno pendurado por dia, ficar indo toda hora ao médico. A radioterapia te deixa exausta, se arrastando. Durante o tratamento, tive uma crise de dor miofascial que me deixou imóvel por 2 dias por causa da rádio e esse foi um momento muito difícil.

Falando em momentos difícieis, tiveram dois que marcaram. Meu filho, ao 3 para 4 anos perguntou pra mim se eu ia morrer. Eu respondi que sim, mas que ia demorar muito. E ele ficou bem confortável com a resposta. Outro foi aceitar meus peitos novos que não são bonitos como eram antes! Nenhum médico te diz como vc vai se sentir a primeira vez que tirar a blusa na frente de um crush. Pq ele não faz ideia disso. As pessoas olham pra você sempre te lembrando que o importante é não morrer. Mas calma! Vc quer continuar se sentindo bonita e sexy. E sempre que você se olhar, você vai ver cicatriz, mancha de rádio, um peito no Alasca e outro no Uruguay. Não é confortável.

Por isso que eu digo, repito: fazer mamografia todo ano, a partir dos 40 no mather what! Se o médico do SUS não te prescrever, junta dinheiro e paga pela sua mamografia. É o preço de um sapato bacana! Não confie jamais em autoexame. Ok, é bom para vc conhecer seu próprio corpo, mas não dá pra confiar só nisso. Precisamos pensar em nós; cuidar de nós mesmas!"

Cuidar dela mesma foi o que fez a diferença na vida da empresária Paloma. Ela desconfiou que algo estava errado ao se tocar no banho e sentir um caroço. Foi procurar ajuda médica imediatamente e aí se iniciou uma jornada que, até o momento, resultou em 5 cirurgias e 6 ciclos de quimioterapia. Veja o relato que a Paloma gravou pra gente!

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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