DiFato Tudo Importa Sem pânico: envelheci sem saber que tenho autismo! O que fazer?

Sem pânico: envelheci sem saber que tenho autismo! O que fazer?

Cresce a cada dia o número de pessoas que recebem o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista na fase adulta

O infinito multicolorido é o símbolo atualizado para representar a diversidade de pessoas com o Espectro Autista.

O infinito multicolorido é o símbolo atualizado para representar a diversidade de pessoas com o Espectro Autista.

Reprodução

Aos 36 anos, Jaime (nome fictício, para preservar nosso entrevistado), descobriu que, após tentar se encaixar por toda a vida em grupos sociais, foi diagnosticado com um transtorno que parecia distante de sua realidade. Cresceu como qualquer outra criança, fez descobertas em sua adolescência, estudou, concluiu o ensino superior, casou, mas sentia que era de certa forma diferente.

Desenvolveu e lutou contra a ansiedade desde os 15 anos, e hoje vivencia quadros de depressão. Só agora, na fase adulta, recebeu o diagnóstico de ser uma pessoa com TEA, Transtorno do Espectro Autista. A partir daí, entendeu por que se sentia tão desconfortável em ambientes cheios e com cheiros fortes, ou por que não conseguia prolongar ou manter uma conversa por muito tempo.

Ainda não existe uma estimativa oficial sobre quantas pessoas foram diagnosticadas com o TEA na vida adulta. As pesquisas a respeito tornaram-se mais frequentes nos últimos 20 anos, pois se acreditava que a identificação deveria ocorrer na infância.

Atualmente, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 70 milhões de pessoas no mundo com Transtorno do Espectro Autista, sendo 2 milhões delas somente no Brasil. É uma alteração comportamental que afeta principalmente pacientes do sexo masculino e pode ter uma grande chance de hereditariedade. Jaime tem um irmão diagnosticado com autismo desde a infância.

"Você nota que os sintomas estavam presentes desde a infância, que houve prejuízos em sua vida cotidiana... e não se trata de deficiência intelectual nem de atraso global no desenvolvimento. São pessoas que muitas vezes apresentam padrões restritos, repetitivos, de interesses e atividades", explica Lycia Machado, terapeuta ocupacional especialista em saúde mental e neurociência.

Para o diagnóstico terapêutico ocupacional, Lycia realiza uma avaliação do paciente, que envolve tarefas e questionários. "Os questionários são aplicados não apenas ao paciente, mas também a familiares e pessoas próximas, para coletar informações sobre o desenvolvimento do indivíduo", conclui Lycia.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention, a versão norte-americana da nossa Anvisa, uma em cada 36 crianças foi diagnosticada com autismo nos EUA em 2020. E você acha que pode estar nessa estatística? Pode ser, mas também pode não ser. Continue lendo. Muitas pessoas podem crescer sem saber. Mas, calma, vamos ao guia rápido do tio Dionisio com a ajuda de especialistas.

Na figura abaixo estão os sintomas que, segundo especialistas, são considerados chave para o diagnóstico:

Exemplos de sintomas que apontam autismo diagnosticado na fase adulta.

Exemplos de sintomas que apontam autismo diagnosticado na fase adulta.

Acervo pessoal

Esses podem ser os mais comuns, mas existem outros sintomas relacionados. E o adulto com TEA pode desenvolver todos ou uma combinação de alguns deles.

"Alguns se concentram tanto em uma atividade que se esquecem de tudo o mais. É possível negligenciar necessidades básicas como fome, sede... a maioria negligencia o autocuidado, como a ida ao banheiro, por exemplo. Imagine o que isso pode causar?", destaca Lycia Machado.

O Transtorno do Espectro Autista pode ser classificado como leve, moderado e severo. No entanto, você ainda não foi diagnosticado com TEA, então respire fundo e continue lendo.

Algumas pessoas, com a ajuda correta, podem aprender a minimizar os sintomas, enquanto outras superam essas barreiras por conta própria. A atriz Leticia Sabatella, por exemplo, só recebeu o diagnóstico aos 52 anos e passou a entender as dificuldades que enfrentava, principalmente com a hipersensibilidade sensorial.

Então, se você fez check em algumas ou em todas as características e sintomas que citei, precisa entender que: TEA não é doença e que com o acompanhamento correto você pode superar tudo isso e viver dias mais leves.

“É uma mudança de 100%. Uma paciente conseguiu dar continuidade aos estudos. Outro está conseguindo seguir a dieta e cumprindo os compromissos”, enfatiza Lycia.

Se você ficou na dúvida e acredita que tem os sintomas, procure um especialista. Psiquiatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais vão te ajudar com isso e estão disponíveis nas redes pública e privada de atendimento à saúde.

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