É de comer De bairro têxtil a polo gastronômico descolado: a transformação do Bom Retiro

De bairro têxtil a polo gastronômico descolado: a transformação do Bom Retiro

Bairro do Centro de SP atrai turistas e paulistanos para conhecer cozinhas étnicas com pouca presença no restante da cidade

  • É de comer | Do R7

Bom Retiro vira point na gastronomia paulistana

Bom Retiro vira point na gastronomia paulistana

Divulgação

É incrível como a comida pode mudar a cara de um bairro em São Paulo. Há alguns anos, muita gente (eu inclusive) ignoraria um passeio ao Bom Retiro, se a proposta fosse comer. Afinal, a região é mais conhecida na capital paulista por abrigar lojas de roupas e calçados.

A proximidade da Cracolândia também afugenta um pouco os mais preguiçosos, confesso. Mas recentemente venci a inércia e estive no bairro com algumas amigas. Primeiro, me surpreendi com a quantidade de novos restaurantes. A segunda surpresa foi que o local virou um point de foodies, aquelas pessoas que buscam uma experiência diferente e/ou transformadora quando o assunto é comida.

Pratos típicos coreanos atraem turistas e paulistanos ao Bom Retiro

Pratos típicos coreanos atraem turistas e paulistanos ao Bom Retiro

Divulgação

Além de contar com vários restaurantes bolivianos e judaicos, o bairro se destaca hoje pela variedade de cafés e restaurantes coreanos —do self-service ao churrasco típico, tão popular nesse momento.

Se no século XIX, quando surgiu, o bairro era formado por chácaras e sítios usados como retiros de fim de semana pelas famílias ricas da cidade, hoje ele serve de retiro gastronômico. Mas isso foi construído ao longo de mais de um século de “povoamento” de imigrantes.

Em 1892, o governo do Estado comprou o terreno onde ficava a Chácara do Bom Retiro para construir o edifício que abrigaria o Desinfectório Central e o Serviço Sanitário. Com isso, atraiu imigrantes de diversas nacionalidades, como italianos, portugueses, gregos, judeus e iugoslavos.

Na década de 1970 vieram os coreanos que formaram uma comunidade no bairro, que hoje é uma das maiores da América Latina.  Eles se especializaram no comércio e confecção de tecidos, roupas e artigos de decoração. Mas quando a saudade de casa bate o que consola é mesmo a comida que lembra a terra natal. E aí, surgem as cozinhas típicas.

Neste século, a cultura coreana ganhou projeção internacional: filmes, k-pop, maquiagem, lifestyle e, lógico, a comida de lá viraram tendências por aqui. Apimentada e cheia de umami (aquele quinto sabor descoberto pelos orientais, muito presente nos cogumelos) a culinária coreana atrai curiosos e turistas para o Bom Retiro. 

Impossível não se encantar ao sentar-se à mesa e receber os banchans do dia, que são vários pratinhos com entradas frescas e sazonais, bem condimentadas. Pequenas surpresas que abrem o paladar para os pratos principais, esses, sim, mais cheios de sabor, cor e sustância.

Fui a um restaurante bem típico de lá, o Darê, cheio de coreanos, mas também com muita gente como eu, curiosa pra provar um pouco de cada coisa. Tem um self-service embaixo, mas o andar de cima é à la carte e sugiro fortemente que você suba as escadas. O que está embaixo pouco interessa do ponto de vista da riqueza gastronômica. Se você ainda não conhece os pratos, deixo aqui algumas dicas de alguns que vale muito experimentar.

Bibimbap: uma mistura de arroz, vegetais, carne ou tofu, e um molho apimentado. Servido sempre em uma panela de pedra bem quente. Aí é só misturar tudo e comer com hashi.
Bulgogi: Este prato é feito com carne de vaca marinada em molho de soja, alho e gengibre. É geralmente grelhado e servido com arroz e vegetais.
Japchae: Um macarrão de batata-doce, vegetais, carne ou tofu, e um molho doce e apimentado. Bem leve e refrescante.
Kimchi: O famoso fermentado de acelga ou repolho também é comum na Coreia, como acompanhamento.
Mandu: Estes são bolinhos coreanos recheados com carne, vegetais ou tofu. Eles podem ser fritos, cozidos no vapor ou grelhados. Parecidos com o bolinho japonês conhecido como guioza.


Alguns restaurantes do bom retiro que vale e pena conhecer:

Banchans (entradinhas) do Darê, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo

Banchans (entradinhas) do Darê, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo

@ehdecomer

Dare: Ignore o buffet embaixo e suba os degraus para uma típica refeição coreana. Um prato dá pra duas pessoas. Vá em uma turma para pedir vários e dividir tudo.
Rua Correia de Melo, 54 - Bom Retiro
https://www.instagram.com/restaurante_dare/

New Shin La Kwan: É conhecido por seu churrasco coreano, que é feito na mesa dos clientes.
Rua Prates, 343 - Bom Retiro
https://www.instagram.com/newshinlakwan/

DogKebi: Este restaurante é especializado em pratos de frango e lula, que são fritos e servidos com molhos apimentados.
Rua Três Rios 110, Bom Retiro
https://www.instagram.com/dogkebi/

Fresh Cake Factory: O café é especializado em doces coreanos, como bingsu, tteokbokki e mandu
Rua Prates, 599 - Bom Retiro
https://www.instagram.com/freshcake_factory/

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